Psicologia Financeira Lei 2 – Sorte e Risco
Na sequência de nossa série baseada no best-seller A Psicologia Financeira de Morgan Housel, agora trazemos a Lei 2, que trata tanto a sorte, como o risco como situações inerentes ao comportamento financeiro. Desta maneira, vamos lançar um olhar mais detalhado sobre a questão para esclarecer ao leitor suas implicações nas decisões que ele toma.
Seja como for, a psicologia financeira trata sorte e risco como duas faces da mesma moeda. Primordialmente, Housel argumenta algo incômodo: nenhum resultado financeiro nasce só de mérito ou só de erro. Acima de tudo, todo resultado carrega uma dose invisível de acaso.
Por isso, essa lei ataca diretamente um hábito humano antigo: julgar sucesso como prova de competência e fracasso como prova de incompetência. Definitivamente, a realidade é mais complexa do que isso.
O Risco Escondido Por Trás do Sucesso em Psicologia Financeira
Antes de tudo, vale entender por que essa distorção acontece. Nassim Taleb (www.fooledbyrandomness.com), em seus estudos sobre aleatoriedade, chama esse erro de viés de sobrevivência. Em outras palavras, só enxergamos quem venceu, nunca a multidão invisível que tentou o mesmo caminho e fracassou por puro azar.
Consequentemente, admiramos o investidor que apostou tudo em uma ação e multiplicou seu capital. Contudo, ignoramos os mil investidores que fizeram exatamente a mesma aposta e perderam tudo. Logo, o mercado não mostra a distribuição completa de resultados., contudo, mostra apenas o topo da distribuição.
Além disso, existe o viés retrospectivo. Depois que um resultado acontece, a mente humana reconstrói uma narrativa de causa e efeito perfeita. Frequentemente, essa narrativa exclui o papel real do acaso, porque uma história de mérito puro é mais confortável do que uma história de sorte.
A História Real da Psicologia Financeira Por Trás da Lei 2
Dessa forma, Housel conta a história de Bill Gates. Em 1968, apenas uma escola nos Estados Unidos tinha acesso a um computador de uso estudantil. Gates estudava justamente nessa escola, a Lakeside School, em Seattle.
À primeira vista, isso parece detalhe irrelevante. Porém, esse acesso raro deu a Gates milhares de horas de prática em programação antes de qualquer outro adolescente do país. Entretanto, sem essa coincidência geográfica, a Microsoft talvez nunca tivesse existido da forma que existe hoje.
Sob o mesmo ponto de vista, existe uma segunda parte da história, menos contada. Kent Evans, amigo próximo de Gates e parceiro de programação na mesma escola, morreu em um acidente de montanhismo antes de terminar o ensino médio. Logo, Evans tinha o mesmo acesso, o mesmo talento e a mesma oportunidade.
Assim sendo, a diferença entre os dois não foi mérito. Foi risco, na sua forma mais literal e trágica. Portanto, toda história de sucesso extremo esconde, em algum ponto, uma versão paralela onde o mesmo talento não teve o mesmo destino.
O Que a Psicologia Financeira Muda no Seu Julgamento
Diante disso, essa lei exige um ajuste duplo de postura. Primeiramente, ao analisar seu próprio sucesso financeiro, vale reconhecer a parcela de sorte envolvida, sem falsa modéstia nem exagero.
Em seguida, ao analisar o fracasso financeiro alheio, vale reconhecer a parcela de risco envolvida, sem julgamento fácil. Igualmente, isso não significa ignorar esforço ou disciplina. Acima de tudo, significa apenas parar de tratar todo resultado como prova moral de caráter.
Frequentemente, esse cuidado leva a uma prática específica: evite copiar exemplos extremos. Investidores no topo absoluto da distribuição, positiva ou negativa, quase sempre tiveram fatores fora do próprio controle. Portanto, prefira aprender com padrões amplos e consistentes, não com casos isolados e espetaculares.
O Hábito Atômico Que Aplica a Psicologia Financeira
Diante disso tudo, qual é o menor passo possível para aplicar essa lei hoje? Antes de tudo, escolha uma decisão financeira sua, recente e importante. Logo depois, escreva uma frase separando o que dependeu de você do que dependeu de fatores externos.
Assim, repita esse pequeno exercício sempre que comemorar um ganho ou lamentar uma perda financeira. Dessa forma, você reduz tanto o orgulho excessivo quanto a autocrítica excessiva.
O Ciclo Kaizen (PDCA) da Lei 2
Em seguida, para transformar essa lei em rotina, aplique o ciclo Kaizen clássico:
- Plan (planeje): primeiramente, escolha um resultado financeiro recente, positivo ou negativo, para analisar com honestidade.
- Do (execute): em seguida, liste os fatores que dependeram de você e os fatores que dependeram de sorte ou risco externo.
- Check (verifique): posteriormente, ao final da semana, avalie se sua margem de segurança considera a possibilidade real de azar.
- Act (ajuste): finalmente, ajuste 1% sua margem de proteção financeira, assumindo que nem tudo depende de você.
Consequentemente, o ciclo PDCA transforma humildade financeira em prática recorrente, não em reflexão ocasional.
CTA: O Desafio da Lei 2
Por fim, o desafio desta semana pede um exercício de honestidade. Escolha o maior sucesso financeiro da sua vida. Em seguida, escreva com sinceridade qual porcentagem desse resultado veio de fatores fora do seu controle.
Ao mesmo tempo, guarde essa reflexão. Eventualmente, ela prepara terreno para a Lei 3, que mostra por que a ganância sem limite destrói exatamente o que já foi construído com tanto esforço.
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