Psicologia Financeira Lei 6 – Lei da Cauda Longa
Neste novo artigo da nossa série baseada no best-seller A Psicologia Financeira de Morgan Housel apresentamos um novo conceito, a lei da cauda longa. Antes de tudo, entender esse conceito é um importante passo para se compreender o comportamento de investimentos ao longo do tempo.
A psicologia financeira revela um padrão estatístico incômodo: a maior parte do resultado financeiro de uma vida vem de pouquíssimas decisões. Primordialmente, Housel argumenta que essa distribuição desigual, e não uma sequência de acertos constantes, explica quase todo grande sucesso financeiro.
Por isso, essa lei muda a forma correta de avaliar uma estratégia de investimento. Contudo, a maioria das pessoas ainda espera acertar sempre, quando deveria esperar errar quase sempre.
O Que São Distribuições de Cauda Longa
Antes de tudo, vale entender a matemática por trás dessa lei. Distribuições de cauda longa, também chamadas de leis de potência, diferem de uma curva normal em formato de sino. Enquanto a curva normal concentra resultados perto da média, a distribuição de cauda longa concentra a maior parte do resultado em poucos eventos extremos.
Segundo o economista Vilfredo Pareto, esse padrão aparece repetidamente em sistemas econômicos: aproximadamente, vinte por cento das causas costumam gerar oitenta por cento dos efeitos. Além disso, Nassim Taleb (www.fooledbyrandomness.com/) descreve ambientes assim como “Extremistão”, onde um único evento pode dominar todo o resultado agregado.
Consequentemente, investimentos de alto potencial de crescimento seguem exatamente esse padrão. Logo, esperar que todo investimento individual seja vencedor contraria a própria estatística que rege esse tipo de mercado.
A História Real Por Trás da Lei 6
Dessa forma, Housel cita um estudo da Correlation Ventures, que analisou mais de vinte e uma mil rodadas de investimento em capital de risco. À primeira vista, seria razoável supor que bons fundos acertam a maioria de suas apostas.
Porém, o estudo mostrou o oposto. Cerca de sessenta e cinco por cento dos investimentos analisados resultaram em perda total ou parcial do capital investido. Em contrapartida, uma fração muito pequena, próxima de um por cento, gerou retornos superiores a cinquenta vezes o valor aplicado.
Sob o mesmo ponto de vista, a própria Coca-Cola ilustra esse padrão dentro de uma única empresa. Ao longo de sua história, a companhia lançou centenas de produtos e sabores que fracassaram silenciosamente no mercado. Assim, apenas um produto original sustentou praticamente todo o valor da marca por mais de um século.
Portanto, tanto fundos de investimento quanto empresas inteiras dependem, de forma desproporcional, de uma minúscula fração de suas apostas totais.
O Que Essa Lei Muda no Seu Comportamento Financeiro
Assim sendo, a Lei 6 exige um ajuste de expectativa antes de qualquer ajuste de estratégia. Errar na maioria das tentativas não é sinal de fracasso, desde que os acertos raros sejam grandes o suficiente para compensar todo o resto.
Igualmente, essa lei explica por que diversificação faz sentido matemático, mesmo parecendo ineficiente no curto prazo. Definitivamente, você não sabe, de antemão, qual investimento específico vai carregar o resultado da década. Portanto, manter exposição ampla aumenta a chance de capturar esse evento raro quando ele acontecer.
O Hábito Atômico da Lei 6: O Menor Passo Contra a Cauda Longa
Diante disso, qual é o menor passo possível para aplicar essa lei hoje? Revise sua carteira inteira e identifique qual ativo, historicamente, gerou a maior parte do seu retorno acumulado.
Assim, resista ao impulso de vender esse ativo cedo demais só porque ele já cresceu bastante. Frequentemente, esse é justamente o erro que interrompe uma cauda longa antes de ela se formar por completo.
Além disso, evite também o erro oposto: insistir por tempo demais em posições que, historicamente, nunca saíram da média. Dessa forma, o hábito atômico aqui é duplo. Primeiro, proteger o vencedor raro. Segundo, cortar cedo o que já provou não ser esse vencedor.
Portanto, repita essa checagem simples uma vez por mês, sem precisar de planilha complexa: qual posição carrega o resultado, e qual só ocupa espaço na carteira?
O Ciclo Kaizen (PDCA) da Lei 6 da Psicologia Financeira
Em seguida, para transformar essa lei em rotina, aplique o ciclo PDCA clássico:
- Plan (planeje): liste todos os seus investimentos e classifique o retorno individual de cada um.
- Do (execute): durante o trimestre, evite concentrar decisões só nos ativos que decepcionaram recentemente.
- Check (verifique): ao final do trimestre, identifique se algum ativo específico já responde pela maior parte do seu ganho total.
- Act (ajuste): ajuste 1% sua estratégia, priorizando manter posições vencedoras em vez de persegui-las depois que já dispararam.
Consequentemente, o ciclo PDCA transforma paciência estatística em prática mensurável, não em intuição isolada.
O Desafio da Lei 6 em Psicologia Financeira
Por fim, o desafio desta semana pede uma revisão honesta da própria carteira. Identifique quantos dos seus investimentos, hoje, estão no vermelho ou estagnados.
Em seguida, calcule se um único investimento vencedor já compensou, sozinho, todas essas perdas somadas. Guarde essa reflexão para a Lei 7, que mostra por que liberdade, não status, é o maior retorno real que o dinheiro pode pagar.
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