Inteligência Emocional – Pilar 1: Autoconsciência
Apresentamos neste artigo o primeiro pilar da inteligência emocional de Daniel Goleman, a autoconsciência. Antes de tudo, a autoconsciência é a capacidade de reconhecer uma emoção no instante em que ela surge. Portanto, este primeiro pilar mostra o que Goleman propõe e o que a ciência complica. Além disso, ele ensina a treinar em cinco minutos por dia.
O Que Significa Autoconsciência Segundo a Inteligência Emocional de Goleman
Primordialmente, vale retomar o ponto de partida. Na introdução da série, mapeamos os cinco pilares da inteligência emocional. Hoje, então, começamos pelo primeiro deles.
Segundo Goleman, a autoconsciência consiste em reconhecer um sentimento no instante em que ele ocorre. Em outras palavras, você percebe a raiva enquanto ela cresce, e não depois da discussão.
Por exemplo, imagine que alguém critica seu relatório em uma reunião. Imediatamente, o rosto esquenta e a resposta sobe pela garganta. Nesse momento, a pessoa autoconsciente pensa: estou irritado. Logo, ela ganha meio segundo para escolher o que dizer.
Além disso, Goleman amplia o conceito em obras posteriores. Assim, a autoconsciência passa a incluir o conhecimento dos próprios pontos fortes e limites.
Por Que a Autoconsciência Vem Primeiro na Inteligência Emocional
De antemão, a ordem dos pilares da inteligência emocional não é casual. Afinal, sem perceber a emoção, você não consegue regulá-la. Da mesma forma, sem notar o que sente, você não entende o que o outro sente. Logo, a autoconsciência sustenta todos os pilares seguintes.
Sob o mesmo ponto de vista, o Kaizen defende que observar antecede melhorar. Na cultura Toyota, o Hansei expressa essa ideia como reflexão honesta sobre os próprios erros. Em suma, quem não vê o problema não corrige o problema.
O Que a Ciência Diz Sobre a Autoconsciência
À primeira vista, a teoria soa intuitiva. Entretanto, a pesquisa traz nuances importantes. Veja dois resultados.
Nomear a Emoção Fortalece a Autoconsciência
Em 2007, o psicólogo Matthew Lieberman e colegas conduziram um estudo de neuroimagem. Nele, os participantes nomeavam emoções diante de imagens emocionais negativas. Como resultado, a resposta da amígdala diminuiu em comparação a outras tarefas. Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal ventrolateral direito ficou mais ativo.
Desta forma, dar nome ao que se sente parece acalmar a reação emocional. Contudo, o próprio Lieberman descreveu esses efeitos como modestos. Portanto, nomear ajuda, mas não resolve tudo.
Granularidade Emocional: Um Debate em Aberto na Inteligência Emocional
Por outro lado, a granularidade emocional divide os pesquisadores. Os cientistas Kashdan, Barrett e McKnight revisaram evidências favoráveis em 2015. Segundo eles, quem distingue emoções com precisão recorre menos a estratégias nocivas, como beber em excesso ou agredir.
Entretanto, um estudo posterior, com diários cotidianos, mostrou que as diferentes medidas de granularidade pouco se relacionam. Além disso, os resultados variaram entre estratégias e estudos. Logo, trate a granularidade como hipótese promissora, e não como lei.
Autoconsciência e Ilusão: O Alerta de Tasha Eurich
Agora, chegamos à complicação mais incômoda. Frequentemente, achamos que nos conhecemos bem. Contudo, a psicóloga organizacional Tasha Eurich estimou o contrário.
Em dez investigações, com quase cinco mil participantes, ela concluiu algo curioso. Apenas 10% a 15% das pessoas estudadas se enquadravam como autoconscientes. Portanto, a sensação de se conhecer não prova que você se conhece.
Autoconsciência Interna e Externa
Primeiramente, Eurich separou dois tipos. A autoconsciência interna mede a clareza com que você vê seus valores, reações e impacto. Já a externa mede o quanto você entende como os outros enxergam você.
Surpreendentemente, ela encontrou pouca relação entre os dois tipos. Consequentemente, alguém pode se conhecer bem por dentro e ignorar como os outros o percebem. Portanto, o diário sozinho não basta, e o feedback entra na prática.
Além disso, Eurich observou que a pergunta “por quê” atrapalha. Isso porque “por que estou assim?” tende a levar à ruminação. Em contrapartida, “o que estou sentindo?” mantém o foco no fato. Desta forma, troque o porquê pelo quê.
Como Treinar a Autoconsciência com o Ciclo PDCA
Finalmente, a teoria da inteligência emocional precisa virar hábito. Para isso, o ciclo PDCA organiza a prática em quatro passos. Além disso, ele respeita os limites que a ciência apontou.
Planejar e Executar a Autoconsciência em Cinco Minutos
Primeiro, planeje. Escolha três horários fixos, como 10h, 15h e 21h. Em seguida, execute. Pare por um minuto e responda a três perguntas curtas:
- Nomear: que emoção você sente agora? Use duas palavras específicas.
- Localizar: onde você sente isso no corpo?
- Contextualizar: o que aconteceu logo antes?
Observe que as perguntas evitam o “por quê”. Assim, você descreve o fato sem procurar culpados.
Verificar e Agir no Domingo
No domingo, verifique suas anotações. Em primeiro lugar, procure padrões de horários, pessoas e situações. Depois, peça feedback a alguém de confiança, para treinar a autoconsciência externa.
Por fim, aja: escolha um único ajuste para a semana seguinte. Por exemplo, se a irritação surge nas reuniões de segunda, chegue cinco minutos antes e respire fundo. Dessa forma, o ajuste de 1% fecha o ciclo e reinicia o planejamento.
CTA: Inteligência Emocional – Seu Desafio Semanal de Autoconsciência
Para fechar, aceite o desafio da semana da inteligência emocional. Durante sete dias, faça o registro de três pausas diárias. Além disso, peça a uma pessoa de confiança uma observação honesta sobre como ela percebe você.
Depois, conte nos comentários qual palavra mais apareceu nas suas anotações e o que o feedback revelou. Enquanto isso, o próximo pilar já está a caminho: a autorregulação, onde a pausa encontra a ciência de James Gross. Assine a newsletter para receber o texto no domingo.
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